Como são, como sou

A minha gente vive a ilusão das coisas como são
Eu jogo a minha luz a tapa
Aqui em casa, minha mãe faz de tudo pra evitar confusão.

O meu pai é uma bomba relógio,
E minha irmã é a voz da lei, pronta a dizer que não sei
É que é preciso estudar, é que é preciso viver
Quando o caçula descamba, há sempre muito que ver

Mas não valerá pagar pra ver,
Não se venderão ingressos
Todos os revolucionários do país serão políticos "sérios"
Eu não consigo enxergar esse cálculo
Eu não consigo ceder ao cansaço
De onde surgiu tanta falta de fé?
Não nos exaltemos, todos temos marca-passo.

Na hora do jantar eu me calo,
Porque sempre meto mesmo os pés pelas mãos
A minha gente pensa que estou mais maduro
Que já aceito as coisas como são.



Escrito por Pablo Naranja às 14h08
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