É inevitável tal hábito. Como não passar o tempo? Apesar de saber, em meu âmago são, de que viver é ser no durante Arde pra caramba me deter a cabeça em você E o que será que estaria você fazendo agora? Agora que me rejeitou, agora que nos libertou, Bêbada da valentia da qual, por séculos, nos mantivemos puros.
Será que vive bem, como um passarinho que mal encontra tempo para cantar? Será que goza do sabor de cada grão de arroz? Será que roça a bochechas nos bichanos sem medo de ser feliz? Terá virado um calango e fincado morada na mangueira torta do coração da terra? Terá lutado por reforma agrária? Terá vendido sua arte para enfeitar pequena parte da cidade? Terá tido glória?
Agora não me dói tanto. De fora, até que penso: esplêndido, o desencontro humano! Todos os golpes, o abate da vontade de viver, o abandono da curiosidade, A lembrança da fartura de tudo o que era a puberdade, o contraste da formatura E a experiência de beirar as coisas que não têm volta. Ora, sigo vivo. Um tanto sem fé, um tanto senhora. Talvez eu fique pra titia, penso isso de relance. O vulto do nosso filho chora. O que estaria fazendo você, nós juntos? O que taria fazendo agora?
27 de agosto de 2009
Escrito por Pablo Naranja às 10h35
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