(19:20)

Vá, vá ser feliz, se for por aí que se é.
Eu vou seguir outro caminho.

Por quê?
Porque pra mim não dá.
Você que me mostrou os meus limites.
Lembra?
Para mim, assim, não dá. Vá!


Realmente (19:33)

Eu realmente desejo, de todo o ódio que tenho agora em meu coração,
Que você seja feliz.
Eu realmente lamento o desencontro.

Eu não sei se a vida ensina.
Ensina pra quem?
Quantas mais dessa eu vou ter pra saber o que fazer?
Ah, na próxima estarei preparado.
Que ridículo. Ridículo!
Esse é o maior desafio da vida, amar e ser amado.
Eu tô com cara de super-homem?
Eu tô com jeito de quem foi abençoado?

É, rapadura é dura.
E tem dia que é amarga.
ô mãe, continue com essa fé na gente.
Essa será minha lembrança, porque preciso seguir em frente.

 

Diálise (19:38)

É assim que eu sobrevivo.
Sentimento no papel,
Tinta correndo em meus tecidos.



Escrito por Pelvis às 19h40
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Otro apellido pra la lua

Quem é esse cara?
Que papo é esse de fingir de ser criança consigo?
Tão de segredinho? Ele canta pra você?
Olha eu vou vender a enferrujada da guitarra.
Não sou homem de brincar de distorcer nada.

Tô roendo de ciúme. Tá um aperto aqui na tripa.
Tô com o peito pouco, ar pequeno,
sopro arfando e essa brisa.
Eu vou pifar, vou derreter
Meu sangue esquenta, fica bem quente, ferve e não transpira.
Inspiro fundo, o conselho é botar pra fora.
Ou expiro ou explodo.
Um eletrodo, agora eu quero virar cinza!

O desencontro e o arrependimento.
O primeiro eu não suporto, e o que segue eu não aguento.

Ah, se eu combinasse uma hora mais cedo
Se contesse o meu ser desse espanto
Contivesse parece ser o certo.
Isso tava previsto, isso era promessa de pranto.
Errado o leite nunca é,
contido na caixa ou derramado.
Se eu me contivesse, se eu resignasse,
Se engolisse seco e me transformasse
Se eu caisse no verso de outra Pessoa
Se vós falássemos por outra pessoa,
Uma terceira, um predicado,
Sobre outro nome essa indigência pousaria,
seria um outro o prejudicado.

Se não fosse Poeta, caso eu desse um astronauta
Era pela estrela-dalva que o panaca prantaria.



Escrito por Pelvis às 21h52
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Preparem-se, está para chover aqui.
Andei pensando muito, perdi cabelos nessa. Entrei numa ilusão de que podia infinitamente mais que minha idade, que meu corpo, que os limites da cidade. Tenho comigo agora sinais de velhice, isso consegui quando empreendi uma busca para beber de um elixir de juventude. Aprendi que os caminhos trazem paisagem a granel, que o durantes são o que se tem para curtir e que o fim da estrada não chega livre da tristeza de se ter de inventar uma outra caminhada.
Tomei algumas decisões. Chega de documentários sobre ditadura. Chega de pular gratuitamente em todo caldeirão de sentimento que me venha pela frente. Chega de abusar da pele, longe de mim o que quer me queime os pêlos. Devo parar de topar com tudo.
Ainda acredito possuir super-poderes, estou aprendendo é reconhecer minhas fraquezas. Ainda pretendo acontecer com meus sonhos, ser aquilo que tenho projetado com zelo. Por todos esses anos, especialmente pelos últimos, em que tenho recordado o estado de mudez, concentrado tanto no exercício de ouvir e completar os espaços onde a lógica costumava abandonar o pensamento que desaprendi, atrofiei.
Confiem a mim a mão. Primeiro chovo, é por escolha. Me faço ser agora companhia para passeio:
Agora sei que existe fome, doença, descaso e violência. Percebo além da minha falta de habilidade, a constante inexpressiva das palavras. As definições enquanto garantem dados significados, perdem pencas de outros tantos nesse esforço. No entanto, não podemos manter-nos incomunicáveis. É preciso fechar acordos. É preciso fazer escolhas, ponderando os termos dos contratos. Assumi o desafio de me manter plural. Acolhi o pensamento sistêmico. Quando foi pra fazer uso dos artifícios com os quais me havia cercado, vi foi que mais complicado eu havia me tornado. Mas que para mim não havia outro percurso, não via válidos atalhos. Dos caminhos, os mais desgastantes, dos sorrisos, estoques: esgotados. Tenho sentido o cansaço. Tenho sido lembrado de minha idade.
O que eu mais quero? Passa certamente pela felicidade. Só que parece que não consigo isso sozinho ou se vejo gente muito pior do que me declaro. Para mim não está claro como conciliar a entrega justa e bem repartida de meu ser em estudo/trabalho/amor/amizade/arte, arte/ciência/saúde/sociedade, desejos de viagens ao redor do mundo e dinheiro de esmola pra inteirar a passagem.
Percebam a carência de manifesto expresso com que me deparo. (Continua...)



Escrito por Pelvis às 21h38
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Para que não se percam as frases perdidas:

Quando a gente anda só, nessas estradas cheias de poeira, fica muito suscetível a feitiço de bruxa e de feiticeiro.



Escrito por Pelvis às 20h09
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"Sujar o pé areia pra depois lavar na água

Lavar o pé na água pra depois sujar de areia"

 



Escrito por Pelvis às 21h06
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Vocês são todos adultos, não são?
Alguns, eu vejo e percebo, estão em transição.

Eu falo aos homens sérios, seres de profissão
Eu falo de colorir para eles
Eu falo sério.

Porque nessa vida não há quem bem trabalhe
Sem alegria.

Não há, nem tem quem venda alforria
A quem tome escolha de tornar-se escravo de um dia-a-dia.

Alegria, euforia, povo fôrro, feliz de prestar favor...

Para isso, é só preciso deixar manchar a tinta,
Reduzindo a marcha do trator.



Concluído em 25 de fevereiro, 2009



Escrito por Pelvis às 11h12
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Contido

Passarei a noite penando no estudo
Vou cair sem sono de velho que virei
Embreagado de café, com o pé pra cima duro
Vai que eu tenho um AVC...

E hoje não tem coruja alguma pra me vigiar do muro
Deus o livre! Bato o prato na madeira do birô
Sei que comer no quarto é um porco-hábito-imundo
Migalha, barata, traça, rato. Atrai tudo de ruim.

Sempre que eu aumento, alguém regula o meu volume
Contra o argumento, você me dá um murro.

 



Escrito por Pelvis às 12h24
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Sem precisão de rima pobre.

Falando pelas costas, falando por falar, falando sem querer, ferindo sem parar.

A minha janela está virada para o lado oposto da ocorrência dos eventos luminosos. Eu posso ver, da tela do PC certas notícias sobre o penteado da lua nesse instante. Eu confio na internet. E eu não gosto nem um pouco de trazer a impureza desses termos ao fantástico mundo desse texto. Eu não me engano, quero escrever para sair essa noite inflado, com o espírito grande. Para quando me aparecer a oportunidade eu poder montar o dragão voador.
O meu casco tá ficando seco, posso ter sido feito pra correr, acho que não para andar. Eu quero a calma no meu coração e o turbilhão no resto todo. Falei que vou quebrar a cabeça por esses dias tentando achar um jeito. Hei de achar uma ou duas maneiras de levar a vida do jeito que quero. Está anotado na tela do computador! ¬¬ Preciso de palavras em português ou preciso de uma língua nova. Preciso de um dente que não precise escovar, preciso enxergar a saúde na comida com a qual me abasteço. Você pode discordar, mas não preciso de uma linha de raciocínio. Sigo e bem um raciocínio, que não é linear. Preciso fazer a curva pra cima, sair do plano, furar a dimensão, perder uma série de noções, manter um outro bocado. Preciso tomar decisões, e preciso manter quando contrariado.
Eu vou fazer a volta. Eu não precisava avisar.

Escrito por Pelvis às 21h01
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"Se quiseres saber se eu volto, diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim"

Sim, serei forte, como sei que quer que eu seja
E essa será minha garantia de que também serás.

Escrito por Pelvis às 00h13
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As memórias de uma vida virtual
Guardam com carinho minhas esperanças de retorno

Eu não tenho vontade nenhuma de dialogar com essa manhã,
Desse jeito não tem tanta graça.
Eu não tenho graça nenhuma para mim.
Isso é que é pior.
Para quê ler livros? Quê que eu quero com esses filmes?
Com essas novas canções que tento conhecer?
Vou estudar pra quê?
Trabalhar pra quê?
Talvez vocês tenham sim com o quê se preocupar.
Porque não sinto mais gosto algum em nada disso
E eu não sei mesmo, juro que não sei o que agora
Me fará continuar.

A gravidade do momento está contida na intensidade do negativo
Quando digo que NUNCA pensei em me matar,
Mas agora...

Sobre suicídio várias vezes ouvi dizer de ser um ato de coragem,
Pois que sem ela não poderia haver tirada de vida,
Qual o quê! Não há fraqueza maior nesse sentimento,
É uma covardia sem tamanho que de mim se apodera
E diz com voz macia de torturador
Que daqui pra frente não vem muito mais que dor.

Eu sempre me salvei transferindo minhas chagas para as faces do papel
E é assim meu jeito de diminuir em mim o que não quero.
Então, talvez eu sobreviva.
Talvez amanhã me chova sal no dia,
E eu ganhe gosto em olhar o céu.

25 de maio de 2008


"Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me

I don't want to leave her now
You know I believe and how"

Escrito por Pelvis às 10h58
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de Quarto das Cinzas a Jardim das Horas (que vão custar muito a passar...)

"O que quebrou nada se cola."

Quantas vezes já passamos por isso?
Quanto da força nos resta?
Quanto do ódio, quanto do amor?
Quanto tempo falta para o fim?
Mas, dessa vez, o fim da vida, mãe.
Minha tia, sua mãe, pare de ligar que isso não se adia!
E eu dizia...
"Que o amor foi tanto,
E, no entanto, eu preciso dizer..."
Quis ser pleno demais para simples mortais,
E, com medo da morte,
Essa noite nós hesitamos.

Eu quis dizer, se não aqui, nas estrelas,
Mas gaguejei e, na hora de dizer adeus,
Foi "Tchau".
E "O que é isso?" (...)


ELA se foi e o SOL amanheceu,
Apareceu sinalizando o meu daqui-pra-frente,
O meu penar.

23 de maio de 2008

Escrito por Pelvis às 20h25
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Ô, Pé atrás, já atrasaste por demais meu passo!
Hoje as certezas de amor se configuram e daqui a pouco renasço.
O meu cabelo torna prum novo sentido
E feia será sua mãe quando for bem velha
Meu filho, onde compro uma nova artéria?

A verdade é que a cidade me pariu e agora tenta me engolir
Arrependida, ela acredita que, ao me fazer, fez merda
Mas eu preciso me insurgir, emergir dessa golada
E me agarrar na sua goela.
Não me recrimine por fazer todo esse drama
A cena sobre decadência era essência e necessária
Por isso não se aborreça se for apenas na iminência de perder a cabeça
Que a vontade de viver me acerte a testa.

Minha mãe, meu pai: uma favela.
Uma lhama e um camelo não se cruzam em cativeiro
E eu preocupado com o cabelo, em dilema com a fivela.
Mas não serei tão bobo de fazer mentira
A minha vida antes do princípio desta era
Eu fui coerente, escovei os dentes muitas noites
Para que agora pudesse morder da terra.

Aquele pensamento era outro
Vou refazer o meu provérbio
Todo amor que houver nessa vida, eu quero.
Toda dor que vier de tempero, tempero.
Ao tempo, às eras tenho zelo
Aos deuses um apelo:
Tenham dó do meu destino de mortal.

Escrito por Pelvis às 15h20
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Experimento

Ai,
Aquela música não rola mais para nós.

A minha namorada, velho Vinicius
Caiu no mundo, num novo acordo nosso
Sem dono, sem posses.

À minha namorada, meu amigo,
terei de achar um novo nome,
um vocativo livre de ditames
um termo que não carregue peso
um possessivo que lhe confesso: eu desconheço.

Mas aos meus amigos,
aos meus vizinhos,
ao meu cão eterno,
Por todos eu trato com meus 'meus'
E nem por isso me apego de morte.

A liberdade mantem-se com eles
E somos livres para estarmos juntos quando quisermos
quando a puzera da força da vontade nos impele
a querer urgente a textura da pele um do outro.

Eu concordo com tudo e tento
Não quero ser um cabeça-dura
Eu temo apenas abrir-me uma fenda
E que a ela não haja condição sutura.

Escrito por Pelvis às 15h03
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Estou sem sono
E sobre o meu nome acordado

Cantando "Pablo, Pablo...
Pó de meia no sapato... Pablo, Pablo"

Estou juntando rancores
Pequenas raivinhas
Hoje eu me chamei de agressivo.
Pablo, um sujeito esquentado.

Mas sou tranquilo
Os meus amigos dizem que sou
Fui nomeado presidente por isso
O meu sorriso de resina
Reside nele a verdade sobre resistência ao impacto.
Quando vier tempestade...

"Sobre mim erguerão coisas nessa gestão"
Por trás de um homem franzino, um ego gordo
Ora, meu povo, ao fim desse mandato estarei morto
Meu osso falta cálcio
Eu sou uma muralha calcárea
Mas que coisa!
Confundo tudo, me engodo.

Ostrogodos, visigodos, Obelix!
Eu sou um bárbaro
Como pelos cotovelos
E falo com o cavalo em movimento

Que magro lamento!
Não tinha nenhuma carne pra mascar nesse espírito repleto de goma?
Faça a soma da sua existência.
Eu insisto em me confundir com você.
Vá, meu filho, faça. Faça por mim.
Faça de cabeça, pense esse percurso
Relate o que te sabe aos meus percalços

Eu amei, foi uma única vez
Eu não sei nem sinto nada sobre o meu futuro
Eu prefiro não ficar intuindo,
Não repousar sobre o coqueiro
Não ver o coco caindo
Não dormir na sombra
Ver, na verdade, de relance a planta
Nem parar pra nada disso.

Seguindo, perdendo o repouso
Usando tudo que tenho de noite
piscando, o pouco que resta
o dia se insinua
O canto de sabe-lá-que-pássaro, eu deveria saber
O zunido eterno, de fundo, da energia vindo a mim
a fraqueza, o cansaço...

Meu nome é Pablo, Pablo...
A franqueza, a sinceridade
Hoje eu não quero dormir
Quero amanhã surgir tarde
Quero sujar tudo, ser puberdade
Quero saber só o que não causar enjôo
Não quero vomitar
Queria essas condições para poder levitar, no futuro
Para poder ser jovem, corresponder à minha idade
Quero ficar nessa cidade
Não era minha vontade voltar para onde já estive

Para quem é que me explico?
Vou pôr lá em cima "Querido diário",
Mas eu já quis o bem de todo o mundo
Mas eu já tive o coração tranquilo
Você sabe o que é sentir faltar amor?


6 de Janeiro de 2008

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Hoje é 20 de Abril, desse mesmo ano.
Eu venho de um lindo casamento e mesmo antes dele, eu já jorrava de amor.
Isso é o louco da vida, morrer um dia, abrir um sorriso no outro, daqui a um mês explodir de alegria e depois ver que é um tanto triste ter se espalhado em retalhos. Aí você vê que a paciência é uma grande virtude e que, no fim, é meio bobo o medo em se perder e meio que perde o sentido no apego ao rastro de migalhas.

Escrito por Pelvis às 12h37
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Sobre os modernos contemporâneos

Eu não entendo muito bem essa gente
Também não sei muito bem de mim
Parece que querem dizer alguma coisa
Parece que querem
Parece que sim.

Escrito por Pelvis às 18h36
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