Todos os dias novos personagens surgem na trama. Alguns, destaque que são, porão a mão em nossa felicidade.

 

"Tu chegas vestida de negro / Vens decidida a bulir
Com quem está posto em sossego

Entras com ares de atriz / Sabes que sou da platéia
Deves pensar que ando louco
Louco pra mudar de idéia, não?

Pensas que não sou feliz  / Entras com roupa de estréia
Deves saber que ando louco
Louco pra mudar de idéia"

(Grande Hotel - Wilson das Neves/Chico Buarque)

 

 



Escrito por Pablo Naranja às 23h53
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Sabe como eu sei que a cidade está na puberdade?

Prédios são como espinhas crescendo na pele de asfalto.



Escrito por Pablo Naranja às 20h35
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Março de 2010, safra boa de limões. Cansado de espremer nos olhos, vamos à limonada.



Escrito por Pablo Naranja às 16h46
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Próximas pessoas, perdoem mais essa
Sinto que no ímpeto de escrever alegre
Ingeri tristeza
E tristeza ninguém digere
Se toma um laxante
Procede uma limpeza
São casos de incisão cirúrgica até

Eu sei que existem casos e existem amores
Há a casa dos meus pais e o meu futuro lar sem eles
Há seres por todos os lados e muita coisa debaixo do tapete

De repente eu fiquei amargo
Preocupante e deprimente
Auto-estima mar adentro
O corpo preso a um mísero pedaço de continente

Do dia pra noite eu engoli tristeza
De repente fiquei ácido
Perdoem essa e mais algumas, meus amigos
Já fez um ano eu vivo sem amor,
Já faz um ano eu sou Terreno, mundano, terráqueo


Eu que faria um fonograma de sucesso àquele disco voador
Vejo vocês todos fartos desse papo
Tudo bem, se é assim, eu páro.   
   
    Para Marte ou para a Morte, independente de destino,
    São? Não sei. Eu sigo.



Escrito por Pablo Naranja às 20h36
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Tanta coisa aconteceu desde a última grande cisma
A qualidade não é mais de quem está. Hoje sou só.



Escrito por Pablo Naranja às 22h36
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Seria prático esquecer a saúde que se pode ter. Seria fácil, fácil fosse não lembrar.


"...da vida que eu quero dar." Belchior - Tudo outra vez



Escrito por Pablo Naranja às 01h00
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Eu sinto muito, meus queridos neutros vizinhos polidos,
Mas o amor precisa ser dito.
Sob o risco do mal gosto, mesmo mal dizido.

16/10/09



Escrito por Pablo Naranja às 23h57
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Depois do almoço,
Percebo, além do gosto do alho,
Que jamais me arrumarei pro trabalho
Como o faço para o meu amor.



Escrito por Pablo Naranja às 19h25
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Há alguns dias, eu rejeitava um bom salário
Porque poria em risco minha paz de espírito
Há alguns dias, escrevi despreocupado sobre possíveis beijos não concretizados

Hoje os desejos pairam mais abstratos, tornam densos meus delitos
Raciocino à exaustão cada verso aqui escrito.

 


"mas não faz mal, quem ama não tem paz." (Anoiteceu - Vinicius de Moraes)
"meu bem, não pense em paz que deixa a alma antiga." (Voz da América - Belchior)



Escrito por Pablo Naranja às 22h16
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Como foi ficar tão linda a amiga de minha ex-namorada?
Sei que a carta magna da conduta, de pronto, refuta qualquer dos meus fatos
Eu canto um fado de guitarra portuguesa, eu mando à forca a droga da etiqueta
Sento à mesa, sem peso algum na consciência

Passa, por favor, o pão? (...) A manteiga.



Escrito por Pablo Naranja às 23h37
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Como são, como sou

A minha gente vive a ilusão das coisas como são
Eu jogo a minha luz a tapa
Aqui em casa, minha mãe faz de tudo pra evitar confusão.

O meu pai é uma bomba relógio,
E minha irmã é a voz da lei, pronta a dizer que não sei
É que é preciso estudar, é que é preciso viver
Quando o caçula descamba, há sempre muito que ver

Mas não valerá pagar pra ver,
Não se venderão ingressos
Todos os revolucionários do país serão políticos "sérios"
Eu não consigo enxergar esse cálculo
Eu não consigo ceder ao cansaço
De onde surgiu tanta falta de fé?
Não nos exaltemos, todos temos marca-passo.

Na hora do jantar eu me calo,
Porque sempre meto mesmo os pés pelas mãos
A minha gente pensa que estou mais maduro
Que já aceito as coisas como são.



Escrito por Pablo Naranja às 14h08
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Tinta de colorir amizade vez ou outra estraga a roupa da gente

Olha você solteira! A gente nessa solidão...
E eu realmente não sei passar desse abraço. Que triste. Você nem faz menção
Como eu faço? Quantos passos pra que vire um beijo? E pra que lado?
Eu danço mal um bocado, você percebe a completa falta de jeito

Percebe o desejo, discreto, de puberdade atrasada...
Fica na cara, porque desleixo:
Deixo escapar uma carta

O que consigo dizer é de ser linda essa amiga
E bem mais que pensava da irmã de Caetano
Na minha barriga faz um frio estranho
Não vejo você tendo nada comigo,
Não vejo você lá todo domingo
Eu, amigo, companheiro de luta, vizinho de estado
O estado burguês, nossos pais, nossa vez de trabalho assalariado

Eu, amigo, não vejo você tendo nada comigo
Como é que eu faço pra ter menos certeza?

E agora solteiro, o que só agora, vejo, não basta
É preciso dizer que isso, pra mim, não estava na cara
Estou aprendendo.

Pensei que fosse o motivo de na vez passada não termos feito maior contato
Fato, talvez, não fazer o teu tipo,
Fato, talvez, de quererendo entreter,
Eu tenha sido, quem sabe, bem chato.


Lembra que de brincadeira pedi tua mão? Só se tudo desse errado.
Eu não queria constranger, mas me divirto fazendo
Quando eu nasci um anjo torto, muito torto, com asa de avião disse:
Vai, velho, errando na vida, nada aqui é sério.

Vá, velho, jogar videogame, cair do skate, torcer o joelho e quebrar algum dente.
Tinta de colorir amizade vez ou outra estraga a roupa da gente.



Escrito por Pablo Naranja às 15h41
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O fato de eu não ter assim bem reconhecido um deus talvez torne o lamento um tanto incoerente/contraditório.

Meu Deus,

E se a lua tiver mesmo me esquecido e vivido bem com isso? Eu tenho tentado viver alheio a tudo, quase seguindo em frente. E muito sem querer me deparei com fotos de antigamente, quando todos concordavam que o olhar abobalhado que trocávamos um com o outro não podia ser senão o dragão mais bobão, levando o coração da gente a passeio. Por que a paixão tem de ser um passeio? A zabumba bumbou bastante esquisito. E parecia tão normal, como desde sempre o nosso bairro fosse o Aflitos.

Restou só o caroço da pipoca. Sei que tem quem goste, mas não estou certo quanto a por a sobra à troca. Acho que mantenho orgulho nisso. Quero ainda guaraná e um programa legal. Só eu e você sabe quem(?). Que mal que há? Deus, a vida dá pouco e uma vez só, é isso? Eu não soube dar valor ao que tive? Eu lembro de ter usado de super-poderes em tudo quanto os super-sentidos reconheceram justo.

A minha calça tá apertada, tô um pouco barrigudo. E pela foto vi também o quanto a Lua já foi mais magra e linda, cheia exato apenas onde a mão aperta.

Acho que era minha deusa, Deus, por isso inventei você. E você é tão sem graça! Hum... Não. Não acho que a tenha posto num altar. Eu também, para todos os efeitos, havia me tornado um semi-deus. O semi só porque reconhecia meus deveres junto aos mortais.

Eu não quero viver o que me resta feito o calejado urbano acometido da boa-selvageria, catando e colhendo desse vale de nostalgia. "Meu coração tem mania de amor. Amor não é fácil de achar..." Só me agarro a um raminho de alecrim e levo em meu caminho, porque cabe no bolso. Lamento a distância, reconheço o esforço em se diminuir a dor. Só não posso evitar a vontade que dá de envolver teu dorso com o pouco corpo que tenho. Sempre terei algo de mim pensando em você, querendo seu bem. A via de amor que me cabe, eu mantenho. Mesmo que só um fiozinho, um jeito só meu de te olhar sereno nas fotos e nos curtos desajeitados encontros imprevistos.

Hoje sonhei contigo e doeu pra caramba, mesmo que não faça sentido você ter um caso com o cara da bicuda mais forte das peladas do colégio.

Dizem que eu devia escrever o nome Luna logo, esquecendo a referência mística da coisa. Ontem foi a primeira vez que me deixou alguma encomenda sem nenhum recadinho ou perfume de flor. É difícil para mim entender a maneira que você procede. Acho que o porteiro estranhou.

 

Tudo se transformou
(Paulinho da Viola)
Ah, meu samba
Tudo se transformou
Nem as cordas
Do meu pinho
Podem mais amenizar a dor
Onde havia a luz do sol
Uma nuvem se formou
Onde havia uma alegria para mim
Outra nuvem carregou
A razão desta tristeza
É saber que o nosso amor passou

Violão, até um dia
Quando houver mais alegria
Eu procuro por você
Cansei de derramar
Inutilmente em tuas cordas
As desilusões deste meu viver
Ela declarou recentemente
Que ao meu lado não tem mais prazer


Escrito por Pablo Naranja às 15h50
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Convivência

O que os cientistas não sabem é que, assim como as verdades,
As mentiras existem.



Escrito por Pablo Naranja às 21h43
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É inevitável tal hábito. Como não passar o tempo?
Apesar de saber, em meu âmago são, de que viver é ser no durante
Arde pra caramba me deter a cabeça em você
E o que será que estaria você fazendo agora?
Agora que me rejeitou, agora que nos libertou,
Bêbada da valentia da qual, por séculos, nos mantivemos puros.

Será que vive bem, como um passarinho que mal encontra tempo para cantar?
Será que goza do sabor de cada grão de arroz?
Será que roça a bochechas nos bichanos sem medo de ser feliz?
Terá virado um calango e fincado morada na mangueira torta do coração da terra?
Terá lutado por reforma agrária?
Terá vendido sua arte para enfeitar pequena parte da cidade?
Terá tido glória?

Agora não me dói tanto. De fora, até que penso: esplêndido, o desencontro humano!
Todos os golpes, o abate da vontade de viver, o abandono da curiosidade,
A lembrança da fartura de tudo o que era a puberdade, o contraste da formatura
E a experiência de beirar as coisas que não têm volta.

Ora, sigo vivo. Um tanto sem fé, um tanto senhora.
Talvez eu fique pra titia, penso isso de relance.
O vulto do nosso filho chora.
O que estaria fazendo você, nós juntos?
O que taria fazendo agora?

27 de agosto de 2009



Escrito por Pablo Naranja às 10h35
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